Os fachos nasceram como parte de um sistema de defesa e comunicação criado para proteger a ilha de incursões de piratas e corsários.
O Regimento das Vigias, promulgado em 1567 por D. Catarina, determinava a existência de postos de vigia em locais elevados, onde os facheiros mantinham materiais inflamáveis prontos para acender fogueiras de aviso.
Quando se avistava perigo no mar, acendia-se um facho que era visto de outros picos, criando uma rede visual de alarme que ligava a Madeira, o Porto Santo e as Desertas.
Os fachos distribuiam-se por toda a Madeira, Porto Santo e Desertas, servindo como forma de comunicação "sem fios".
Com o passar do tempo, o gesto de acender fachos perdeu o seu valor militar e Machico continuou esta prática integrada em festividades, numa representação de proteção, união e continuidade, transformando os Fachos de Machico num símbolo da ligação da comunidade à sua terra.
O alerta do fogo, outrora aviso de perigo, tornou-se nesta expressão de memória e pertença, tão nossa.
A tradição dos Fachos conserva hoje este legado secular, recordando a importância dos antigos sistemas de comunicação mas sobretudo a capacidade das populações para preservar e reinventar as suas práticas culturais ao longo do tempo.
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Feito e revisto com por António João Costa